Para esta edição, a Private Collection será dedicada ao pensamento de Foucault. A intenção é apresentar um conjunto de propostas performativas nos seus valores expandidos (interdisciplinaridade, deslocamentos espaciais, deslocamentos temáticos) capazes de dialogar com algumas das noções centrais de Foucault. O arquivo pressupõe o arquivista, mas como um “arqueólogo” que não busca conceitos gerais e abstratos, mas os analisa num jogo de aparecimento e deslocamento. O arquivo não é criado por um sujeito de conhecimento, mas sim nas múltiplas teias entre práticas culturais, sociais, políticas, económicas, subjetivas e históricas. O arquivo também informa sobre essa transformação, e os modelos adotados, uma vez identificados, adicionam mais significado. Narrativa e ficção entrelaçam-se porque a trama é densa e resiste à leitura. Ao mesmo tempo que a performance afirma a sua radical efemeridade, cresce a demanda por documentar e arquivar as suas práticas em nome da pesquisa e historiografia da performance. A Private Collection questionará, no entanto, a relação da performance com o arquivo. Esta relação pode incluir o papel da performance na cultura do arquivo e o papel do arquivo nas conceptualizações da performance; o futuro da performance e do arquivo na era digital; o papel do documento na pesquisa sobre performance; e as práticas de arquivos de performers.




