Roer propõe uma reflexão sobre o binário que distingue a matéria orgânica da inorgânica, sobre a distinção subjetiva entre corpos biológicos e geológicos.
Há códigos de linguagem inerentes a esta distinção, que atribuem à matéria qualidades de possessão, propriedade e valor, e por isso a rendem inerte, desgarrada de relações sociais e ecológicas, desprovida de agência. No entanto, embora a matéria possa ser moldada de acordo com a forma que se projeta, a própria forma é determinada pelas qualidades intrínsecas a essa matéria, que se deixa propositadamente falar, invertendo a ordem anterior.
Reclamando outras perspetivas de corpo e materialidades, este projeto pretende encenar processos de transfiguração, desclassificação de funções e transferência entre corpos orgânicos e inorgânicos, geológicos e biológicos, sugerindo um emaranhamento que dissolve qualquer tipo de hierarquia.
Criação e Interpretação: Vera Mota
Ano: 2023
Fotografia: Pedro Tropa




















