Nácar Performance

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  • Bruno Senune
17:OUT 18h30–19h10 40'
Museu Nacional Soares dos Reis

Parte da sessão : Private Collection

Nácar é uma proposta performativa que reflete sobre esquecimento, ficção de memórias. Do árabe naqqára, «tambor», nácar é uma substância dura, irisada, rica em calcário, produzida por alguns moluscos, reveste o interior de diversas conchas e também é libertada como uma reação a um corpo estranho que tenha entrado na membrana epitelial. O corpo estranho causa irritação ao animal que passa a libertar essa secreção isolada para calcificação similar à parte interna da concha, formando uma pérola cujo tamanho varia de acordo com o tempo de resistência ao corpo estranho e das condições climáticas do meio ambiente. Nácar é também a substância que representa os trinta e um anos de um casamento. Desde já há algum tempo que tenho refletido sobre o facto de não ter praticamente nenhum arquivo (fotografias, vídeos, desenhos) sobre a minha infância. Para além dos materiais físicos, as partilhas que me foram transmitidas pelas pessoas próximas com quem cresci são raras e desconexas. Esta ausência de arquivo formou na minha memória um período distante, inventivo e carregado de suposições. A memória é um lugar de energia, armazenamento e evocação, muitas vezes indefinido e construído através da relação de imagens reais com desejos, conflitos e projeções. Este projeto nasce da necessidade de celebração de um espaço e do que este representa para festejar a ironia do que nos é vago e ainda assim tão certo e deslumbrante. Através da construção e desconstrução deste arquivo real e ficcional potencia-se o vigor dos lugares de fragilidade.

Criação e Interpretação: Bruno Senune
Co-Produção: Family Film Project
Obrigado a Fátima São Simão, Francisca Lopes, Israel Pimenta (galeria Pedra no Rim), Régis Badel

Bruno Senune 

Bruno Senune (1992) é natural de Aveiro, Portugal. Iniciou os seus estudos em dança no Balleteatro Escola Profissional (2008-2011). Colaborou como intérprete com vários artistas entre eles Tânia Carvalho, Né Barros, Boris Charmatz, Vera Mantero, Flávio Rodrigues, Miguel Bonneville, Francisco Camacho, Carlota Lagido, Joclécio Azevedo, Mariana Tengner Barros, Victor Hugo Pontes, Joana von Mayer Trindade, Margarida Paiva, Mariana Amorim, Marco da Silva Ferreira. Em 2020 integrou como performer na reativação das Instruction Pieces de Yoko Ono inserido na exposição Yoko Ono: The Learning Garden of Freedom, em Serralves. Desde 2015 que cria os seus projetos autorais apresentando-os em vários contextos: Lonely (2015) em colaboração com Flávio Rodrigues; Malheureux que je Suis (instalação vídeo - 2016); Kid As King (2016), A Deriva dos Olhos (2017), prenúncio de uma profunda melancolia (2019), Vanishing (2024) em colaboração com Beatriz Valentim. Apresentou os seus projetos em Portugal, Espanha, Alemanha, Holanda e México. Em 2016 é bolseiro pelo Centro Nacional de Cultura. Desenvolve projetos de formação no Balleteatro Escola Profissional. É modelo em aulas de figura humana desde 2010. Desde 2020 que desenvolve práticas relacionadas com a agricultura.