O controlo raramente tem um rosto. Na maioria das vezes, permanece invisível. Não está diante de uma pessoa — está atrás dela. Não dá ordens, mas ensina pacientemente a repetição. Com o tempo, deixamos de distinguir a nossa própria vontade dos movimentos que nos foram transmitidos. Um gesto repetido pela centésima vez começa a parecer natural, embora a sua origem tenha sido há muito esquecida. Quem puxa os cordelinhos? É sempre outra pessoa? Um pai ou uma mãe, um professor, um companheiro, o Estado, a religião, a cultura? Ou será que a memória se torna a maior das marionetistas? O medo? As nossas próprias experiências? As palavras que ouvimos em crianças e que ainda hoje fazem o nosso corpo reagir, embora a voz que as pronunciou tenha há muito silenciado? A forma mais inquietante de controlo começa quando já não precisa de quem o exerça. Quando uma pessoa assume ela própria esse papel. Corrige os próprios pensamentos, reprime os gestos, censura os desejos e guarda fronteiras que já ninguém impõe. A sombra transforma-se numa voz interior. Numa mão invisível que guia os seus movimentos. É aqui que surge a aporia. Faço este gesto porque o escolhi ou porque sou incapaz de fazer outro? As minhas decisões são uma expressão de liberdade ou apenas uma coreografia perfeitamente aprendida? Shadow of Control não procura cortar estes fios invisíveis. Seria demasiado simples. O projeto é uma tentativa de os perceber. De reconhecer que existem. Só então se torna possível encontrar o outro ser humano não como uma marioneta ou um marionetista, mas como alguém que também carrega a sua própria sombra. Talvez a verdadeira liberdade não consista em cortar todos os laços. Talvez comece no momento em que reconhecemos quais são os fios que nos conduzem à vida e quais nos roubam a possibilidade de sermos nós próprios. Então, o controlo deixa de ser uma força invisível e transforma-se numa questão que vale a pena ponderar.


