Performance-concerto que consiste no encontro audiovisual entre Diogo Alves Pinto e Rossana Mendes Fonseca. A camada sonora é composta por músicas — confessionalmente autobiográficas — que desvendam histórias de perda, resistência e auto-descoberta. Cada canção é um fragmento de um diário íntimo, uma tentativa de compreender o que nos liga e desliga dos outros e de nós mesmos. A camada visual é composta por imagens fixas e imagens em movimento; fotografias de um arquivo pessoal conjugam-se com uma paisagem marítima suspensa num ciclo infinito. A desintegração, a fragmentação e o apagamento surgem como efeitos da sobreposição de imagens que se multiplicam, se repetem, se reflectem e se convulsionam continuamente. Cada imagem revela camadas de memória e pó, cuja virtualidade, ao mesmo tempo que se materializa pela acção da luz, nela se espectraliza. Trata-se de um enredo conjunto, aberto, incerto, que provém de duas vozes e de dois meios que, aqui, se descobrem, se experimentam e se contaminam. A sua primeira apresentação aconteceu no festival Ovarexpande de 2024 e foi, uns meses depois, transportada para a CRU creative hub, em março de 2025, sob a forma de uma instalação (dusty blues, flashes of white) com uma série de actuações de 20/30 minutos.


