Repetição e Acaso no Cinema: Elementos para uma abordagem fenomenológica à estética cinematográfica Lançamentos

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17:OUT 15h30–15h50 20'
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Lançamento de livro com a presença do autor
Entrada livre

Em Repetição e Acaso no Cinema, Filipe Martins propõe uma leitura da estética cinematográfica a partir da tensão entre a intencionalidade autoral e o realismo. A fenomenologia fornece as ferramentas para entender o cinema não apenas como técnica, mas como um processo poético que depende da mediação entre a ordem congeminada pelo autor e a abertura à orfandade do mundo real.

O foco central recai em dois conceitos-chave: persistência e contingência. Enquanto a persistência se manifesta como uma congeminação que pressupõe a intenção de um autor, a contingência, em sentido contrário, implica um “retorno ao real” e a ocultação dos traços de autoria. Ambas as tendências coabitam nas diversas formas da criação cinematográfica, manifestando-se através de um leque diversificado de figuras que serão analisadas neste livro. De um lado, as figuras fundadas na repetição: ritmos, refrões, leitmotifs, estilos, consistências, diligências, arcos narrativos, continuidade, estruturação. E, do outro lado, as figuras fundadas na orfandade do real e na admissão do acaso: ambiguidade, casualidade, imparcialidade, descontextualização, desorganização, autonomização, neutralidade, sinceridade.

Tanto as figuras da persistência como as da contingência participam na produção do efeito estético, complementando-se. De facto, a persistência e a contingência não se opõem necessariamente entre si, mas cada um destes movimentos possui o seu próprio correlato antinómico no contexto artístico: a persistência é ameaçada pela arbitrariedade, enquanto a contingência é ameaçada pela artificialidade. Nestes termos, a operatividade estética da obra cinematográfica dependerá de um equilíbrio essencial: afastar-se da arbitrariedade (ou seja, evitar o défice de persistência) sem sucumbir à artificialidade (ou ao excesso de visibilidade da intenção autoral).