“No início de novembro de 2018 decidi começar a fazer um filme autobiográfico. Pensei que podia facilitar as coisas. Bastaria ler o relatório psiquiátrico da clínica: "A paciente refere ter sido vítima de abuso sexual por parte do pai entre os 11 e os 15 anos…" Dizem que tem tratamento. Talvez eu fosse igualmente triste se nada disto tivesse acontecido?”
Em voz-off, Suse Itzel relata os abusos sexuais de que foi vítima durante a infância e a adolescência e reflete sobre as consequências que essa violência pode deixar. Uma linguagem visual experimental acompanha e intensifica o testemunho. Fotografias do passado mostram uma sala de estar que já não existe. A família surge como uma ausência. Um sofá verde presente nas fotografias reaparece sob a forma de uma escultura reconstruída. As imagens são projetadas em diferentes espaços — salas de psiquiatria, estúdios e apartamentos partilhados —, fazendo regressar ao presente memórias dolorosas.





















